A pavimentação da BR-163 e os desafios à sustentabilidade
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Pesquisadores da área ambiental e econômica* produziram o estudo "A pavimentação da BR-163 e os desafios à sustentabilidade: uma análise econômica, social e ambiental", cuja proposta é é subsidiar o debate em torno das políticas públicas que devem acompanhar a realização da obra.
Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM, Instituto Centro de Vida – ICV, Conservation Strategy Fund – CSF, Instituto Socioambiental – ISA, Associação Floresta Protegida – AFP e Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA, e apoiada pelo Consórcio Socioambiental da BR-163, estimaram os benefícios privados e os danos ambientais provenientes da pavimentação da rodovia em dois cenários para a BR-163. Num cenário de “governança”, ou seja, com as ações e políticas públicas em fase de detalhamento no Plano BR-163 Sustentável, do Governo Federal, os custos ambientais da pavimentação foram estimados em 608 milhões de dólares nos próximos 20 anos. Já num cenário “sem governança”, mantendo a forma histórica de pavimentação na Amazônia, esse custo sobe assustadoramente para 1,9 bilhão de dólares para o mesmo período. Esse cifra representa duas vezes o custo total da pavimentação da Cuiabá-Santarém. Entre os dados levantados para o estudo está o fato de que atualmente as principais rodovias da Amazônia concentram 80% do desmatamento da região nos primeiros 50 quilômetros de cada margem.
Os pesquisadores concluem que para se garantir a sustentabilidade dessa obra de infra-estrutura, de inegável necessidade para a região, são necessárias ações continuadas de conservação e desenvolvimento sustentável, que podem ser financiadas, em parte, por meio de uma “taxa de sustentabilidade” sobre o pedágio da estrada. A forma de gestão das políticas públicas e desses recursos, apontam os pesquisadores, deverá ter a efetiva participação da sociedade dentro de um fundo de desenvolvimento sustentável regional.
* Ane Alencar (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM); Laurent Micol (Instituto Centro de Vida – ICV), John Reid e Marcos Amend (Conservation Strategy Fund – CSF), Marilia Oliveira (Instituto Socioambiental – ISA); Vivian Zeidemann (Associação Floresta Protegida – AFP) e Wilson Cabral de Sousa Júnior (Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA).
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