Mal conservada, rodovia Cuiabá-Santarém é desafio para motoristas

07 de abril de 2009
Imprimir not’cia Enviar not’cia

Portal G1 - Há trinta e oito anos o exército começava a abrir uma das mais longas estradas brasileiras. A rodovia BR-163, que liga Cuiabá, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará, atravessou uma parte do Brasil onde ainda viviam tribos que nunca haviam contatado o mundo externo.
 

Abrindo dois quilômetros de mata por dia, os militares montavam acampamentos sobre chassis de caminhão. “Integrar para não entregar a Amazônia. A preocupação era realmente a integração”, conta o coronel Severo. Naquela época, o governo militar temia a guerrilha que se opunha à ditadura no país, e também tentava se proteger da suposta cobiça internacional provocada pelas vastas florestas intactas.

No meio do caminho e dos planos do governo estavam as terras dos índios Panarás. Eram quinhentas pessoas que desconheciam os brancos. Apesar de não ter havido conflito, graças ao apoio dos famosos indigenistas Villas-Boas, dois anos depois o povo havia se reduzido a 82 indivíduos. “Começou a febre, deu um grande sarampo naquela época, acabou todo mundo”, lembra o índio Akan, um dos sobreviventes.

Hoje, a tribo voltou a crescer e são 420 índios, a maioria crianças. O comandante do batalhão que abriu a estrada lamenta o sofrimento dos Panará, mas defende a construção da rodovia de terra, inaugurada em 1976. “A gente sente orgulho, alegria de ter participado de uma obra tão importante. Era uma estrada larga, estrada de primeira classe, uma viagem tranquila”, relembra o coronel Mathias.
 
Buracos
Trinta e dois anos depois da inauguração, menos da metade da rodovia foi asfaltada. Uma equipe de reportagem da TV Globo partiu de Cuiabá e percorreu todo o percurso de 1.777 quilômetros até Santarém. Foram 20 dias de viagem.

Logo de saída, um flagra de capotamento. Na rodovia falta acostamento e sinalização. Em alguns trechos, a pista é muito ondulada e cheia de buracos. Na beira da estrada, cruzes lembram os mortos em acidentes, e são símbolos de protesto.

A falta de segurança é um dos piores problemas da estrada. Quando se cruza a divisa entre Mato Grosso e Pará, ainda há 900 km terra até Santarém. E o pior: o primeiro hospital está a 750 km, em Itaituba.

Os ônibus têm que elevar a suspensão para enfrentar os buracos. Genivaldo Ribeiro, um motorista que trabalha há dez anos no trecho diz que, se chover, não dá para seguir. “É dormir na estrada, sem condições de nada, com sede, com fome, junto com os passageiros”, relata.

Um dos trechos mais perigosos é o conhecido como Cintura Fina. O terreno arenoso faz da rodovia uma espuma derrapante. Basta um erro para que os ônibus e caminhões vão parar nas imensas valas que margeiam a estrada.

O asfalto só aparece a cem quilômetros do porto de Santarém, um importante acesso para o transporte de produtos à Europa e aos Estados Unidos. A promessa do governo é recuperar a BR-163 até 2011. A obra tornaria mais barata a exportação de grãos de Mato Grosso e daria dignidade às famílias que vivem no Pará. O grande desafio do empreendimento, contudo, será asfaltar a rodovia preservando o que ainda resta da Amazônia.

Clique aqui para ver a matéria no site original

Notícias

Movimentos Sociais da Amazônia debatem Princípios e Critérios de REDD+ 28 de fevereiro de 2010

Mais uma ação contra o meio ambiente: mineração em Unidades de Conservação. 01 de fevereiro de 2010

GTA Norte e STRLRV ministram curso de capacitação para a sociedade civil e movimentos sociais em Lucas do Rio Verde 21 de janeiro de 2010

GTA inicia capacitação de lideranças pelo Projeto BR 163 12 de janeiro de 2010

MDA, INCRA e SEMA/PA não comparecem a reunião do Fórum da BR 163 em Itaituba 13 de novembro de 2009

Condessa e Pólos se articulam para executar o Projeto da BR 163 09 de novembro de 2009

Desmatamento de agosto se concentra no eixo da BR-163 17 de outubro de 2009

Projeto Diálogos realiza seminário de encerramento 16 de outubro de 2009

GTA e FAO assinam Projeto sobre a BR 163 02 de outubro de 2009

Conama aprova Zoneamento Ecológico Econômico do Oeste 28 de maio de 2009